segunda-feira, 25 de maio de 2015

Não conte tudo pra sua mãe, Quico!


“Se você tem um problema, conte para sua mãe e terá dois”. Essa expressão já faz alguns anos que ouvi, refleti e internalizei em minha vida. Uma espécie de mantra, que se não fosse por algumas experiências que me levaram a acreditar nele, não faria muito sentido.

Quando morava no Mato Grosso, a cerca de oito anos atrás, qualquer tombo para mim, se tornava um imenso problema. E foi, na verdade. Eu tinha aqueles tanquinhos de lavar roupa e uma certa manhã, antes de ir trabalhar, resolvi lavá-las. Como era período de seca, havia muita, mas muita poeira pela cidade, e meu trabalho – de repórter – me levava a lugares diversos, como em plantações de soja e matagais com focos de incêndio, então lavava umas três vezes por semana. Mas, naquele dia havia derramado um pouco de água no chão, porque o tanquinho ficava embaixo de uma torneira, algo bem improvisado mesmo, e despejava a água direto no chão (ás vezes, usava para limpar a área, outras levava a máquina até o chão de terra para irrigá-la). Com o piso da varanda molhada, acabei resvalando e caí. Lembro que escovava os dentes naquele momento e quando caí, parei uns segundos para sentir a dor e logo voltei ao movimento de escovação. A cena era: eu deitada no chão da varanda escovando os dentes. Demorei um tempinho até ter coragem de me levantar, pois apesar de, naturalmente continuar escovando os dentes, eu estava sentindo muita dor. Caí bem com o cóccix (leia-se cóx) e foi aí que iniciou alguns dias infernais.

Eu morava exatamente em frente ao meu local de trabalho (era a RedeTV, na época, e também um jornal impresso e uma agência de publicidade. Trabalhava como repórter da TV e do jornal). Então, com muito, mas muito esforço (quem já machucou o coccix sabe muito bem como é) atravessei a rua para avisá-los do a(in)cidente. Naquele dia, íamos para uma outra cidade, fazer a cobertura de não sei o quê. Outro repórter foi no meu lugar.

A primeira coisa que fiz após avisar a empresa, foi ligar para a mãe. Caramba, mal conseguia me mexer! Tudo seria infinitamente mais fácil com ela por perto! E é claro que ela, minha amada mãe, ficou muito preocupada (não vou escrever desesperada, porque ainda não é o momento). Então, liguei, chorei e ela poderia fazer o que? Nada! Só a deixei mal. Minha família em geral, mas vou focar na figura da mãe, porque sim.

Bom, acontece que em um outro momento, também no Mato Grosso, após um longo dia de trabalho, cheguei em casa com uma dor horrível na área da barriga. Não sabia ao certo o que era. Essa dor foi piorando conforme o tempo passava e eu comecei a suspeitar de apendicite, porque era bem naquele local. Fiquei um tempo com as pernas para cima (uma maneira incrível de melhorar uma dor aguda na área do apêndice! Só que não), fiz massagens com os dedos na barriga até que comecei a vomitar. Quando vomitei o que fiz? Liguei para minha mãe, claro! Por que iria procurar um médico se tenho uma mãe há zilhões de quilômetros de distância??

Por que fiz isso? Eu me pergunto hoje. Deixei-a (agora sim) desesperada! Ela pesquisou na internet meus sintomas e constatou que poderia ser apendicite. Ligou dizendo que eu precisava ir urgentemente ao médico. Bom, fui ao posto de saúde ali perto, o médico confirmou a suspeita e pediu que me dirigisse ao hospital.

Embarquei na carona da moto da minha amiga rumo ao hospital. A biz foi pesada para lá: minha amiga, eu, uma requisição de cirurgia e a preocupação de minha mãe. Avisei-a que em breve faria uma cirurgia para retirar o apêndice. Ela me informou, com a voz embargada, que estava vendo as passagens e, no dia seguinte, embarcaria rumo ao Mato Grosso. A viagem seria mais ou menos a seguinte: Santa Rosa – Porto Alegre (ônibus)/ Porto Alegre – Cuiabá(avião)/Cuiabá – Lucas do Rio Verde (ônibus novamente). Sei lá quantas horas!

Cheguei no hospital e fui prontamente atendida. O médico me levou direto a uma sala para fazer um ultrassom. Eu estava tensa, com medo e saudosa da minha família. De repente, o médico solta uma ligeira e discreta risada, volta-se para mim e diz, apontando para a tevezinha que mostrava a imagem da destruição dentro do meu corpo:
- Está vendo essas bolotas aqui? Sim, ele usou essa palavra engraçadinha!
- S-sim. Disse, nervosa.
- São gases!
- Gases…
- Sim, você está com gases.
- Isso quer dizer que não estou com apendicite? Eu não vou precisar fazer uma cirurgia? É isso?

Ele riu, confirmando minha constatação. Eu ri, aliviada, agradecida, renascida, sei lá.
- Acho que um remédio já basta para resolver seu problema. Ele acrescentou.
E aí outra surpresa do dia…
- Pegue um carvão, deixe de molho na água e depois tome. É tiro e queda!

Um médico me receitou água com carvão! O Mato Grosso é realmente incrível!
Eu voltei para casa feliz, fiz a receita que ele indicou e me curei daquele terrível mal. Claro, avisei primeiramente a minha mãe, que estava lá, como um leão dentro de uma jaula, sem poder e sem saber o que fazer, andando de um lado pro outro (assim que eu imagino a cena daqueles momentos sem notícias minhas). Depois disso tudo, soube que ela havia lido na internet que é possível uma pessoa com apendicite morrer, após os sintomas de vômito! Agora imaginem em que estado de desespero meus pais estavam!

Bom, quando morei no Rio de Janeiro, e após ter refletido sobre os acontecimentos anteriores, quando tinha algum problema, deixava as coisas passarem, resolverem-se e depois falava para a minha família. E muitas vezes, nem falava: eu já havia resolvido. Eu estava bem. Sobrevivi a todos.


quarta-feira, 8 de maio de 2013

O repeteco dos imbecis




 

Morin estava certo: repetimos muitas coisas que nunca ou poucas vezes paramos para pensar e refletir, mas que algum dia, alguém disse e nos pareceu interessante e então saímos por aí, espalhando aos quatro cantos. Quero citar uma expressão/ideia que muitos dizem, porém, está muito claro que não passa de um repeteco dos mais chulos: “com tanta criança passando fome, vocês ainda querem defender os animais”. É algo assim, com uma ou outra variação e que - pode apostar – aquele que não simpatiza muito com a causa, que acha frívola, trivial, imbecil, falta do que fazer ou irrelevante, acaba dizendo (fico até emocionada em saber o quanto tem gente preocupada com a causa infantil).
 
Então, vamos analisar a questão:
 
1 - Essa pessoa - que repete isso com todas as suas víceras e convicções - chega em casa, cansada de um dia de trabalho e de repente ouve gritos de sua vizinha. Ouve também alguns barulhos de pancadas e, logo na sequência, grito de algum cão. Mais gritos, mais gemidos, mais pancadas. Aproxima-se do muro que divide as residências e se depara com uma cena brutal. Logo percebe que se trata daquele cão nojento, fedido e barulhento da vizinha. Bom, qual será a reação desse indivíduo?
       
A) Fica aterrorizado com aquilo e tenta intervir ligando para a polícia, afinal de contas é um animal indefeso;

B) Lembra-se que tem muita criança passando fome naquele mesmo momento e seria uma grande ofensa a elas fazer qualquer coisa a respeito. Então, decide colocar um fone de ouvido ou ligar a televisão no volume mais alto e, de preferência, num programa bem animado para distrair a atenção;

C) Aproxima-se do muro da casa e fica observando a cena, pois acha muito divertido.

2 - Esse mesmo indivíduo, em outro dia qualquer, está na rua indo para seu trabalho e de repente é parado por um jovem distribuindo alguns folhetos. Ele veste uma camiseta escrita: “Preserve o verde”. O jovem pede para conversar com esse cidadão e explica que está fazendo um trabalho de conscientização para a preservação da natureza e meio-ambiente. No folheto, há várias dicas sobre como separar o lixo, como economizar água, etc. Como o indivíduo reage?

A) Decide parar, escutar e aceitar o folheto, afinal acha a causa muito nobre e acredita que devem existir pessoas que façam esse tipo de trabalho;

B) Lembra-se que tem muita criança passando fome naquele mesmo momento e acha um absurdo ter gente se preocupando com o meio-ambiente;

C) Pega o folheto, continua seu trajeto e, após virar a esquina, amassa e joga-o no chão.

Consegue perceber que esse argumento é absurdo, vazio, sem sentido e não passa de um repeteco leviano? Primeiro porque, como exposto na situação 1, é natural que haja reação/intervenção/sensibilização a cenários de maus-tratos aos animais, assim como há reação quando se vê uma criança indigente. Quem, porventura decide atuar em favor da causa, está apenas reagindo a fatos concretos, reais.

E qualquer pessoa que resolva fazer alguma coisa, mínima que seja, em relação aos animais não está excluindo de suas preocupações a causa do sofrimento de crianças. Não, gente, que conversinha!! Além disso, crianças não estão morrendo de fome porque tem gente preocupada em cuidar de animais. Sinto informar, mas os fatores são outros.

E depois, como exposto na situação 2, por que nunca ouvi ninguém falar a tal frase quando o assunto é natureza/meio ambiente? Não seria a mesma lógica de pensamento: “crianças morrendo enquanto tem gente cuidando de uma árvore”? Existe então uma hierarquia de militâncias? Devo eleger as mais importantes e ignorar aquelas em que não me afetam diretamente e materialmente? Em que não afetam meu bolso, minha família, meus filhos, minha saúde, etc?

E qual seria, portanto, aquela causa totalmente dispensável em que não afeta nem meu bolso, nem minha saúde, nem meu bem-estar aparente? Opa! Parece-me justamente a dos animais, já que qualquer sofrimento que os acometa será exclusivamente problema deles e não um problema social, consequência da falha no sistema de organização do ser HUMANO, algo em que cientistas sociais, por exemplo, devam preocupar-se em estudos e teses. Dá para entender agora porque é tão “indigno” e “banal” ser ativista dessa causa?

E outra, essas pessoas que vivem papagaiando por aí será que fazem alguma coisa? Crianças, animais, idosos, meio ambiente, mulheres?? Nada? Pelo menos se informam?


OBSERVAÇÃO: Eu sou a favor de todas as causas que tenham a intenção sincera de melhorar qualquer aspecto desse globo terrestre. E NÃO ACHO QUE ELAS SEJAM EXCLUDENTES.

sábado, 20 de abril de 2013


 
 
Pra quem gosta de música boa e quer conhecer novos/outros compositores e compartilhar suas preferências, indico o site SoundCloud. Além de músicas, têm vários podcasts de notícias, audiobooks, novidades, ideias, palestras, etc. Funciona exatamente como uma rede social, em que é possível seguir os artistas cadastrados, marcar os preferidos e compartilhar. Segundo a descrição do próprio site, esta é a maior comunidade de artistas, bandas, podcasters e criadores de música e áudio. Eu não sou nada disso, mas já me cadastrei para acompanhar o trabalho dessa galera.

Quem quiser me procurar por lá, meu nome de usuário é Zyka.
 
Curti muito!  

terça-feira, 16 de abril de 2013

Kabbalah no final de semana

Post II - Continuação de "Alienígenas no final de semana"





E, aproveitando minha sede por coisas novas, baixei do youtube um outro vídeo que fazia uma pequena introdução à Kabbalah (assim era escrita a palavra no vídeo, mas pode ser encontrada de outras formas). É bem didático mesmo e é explicado por Shmuel Lemle.

Minha constatação sobre os ensinamentos: uma mistura de muitas religiões e doutrinas existentes. Exemplos? A Kabbalah crê na reencarnação, tal qual o Espiritismo; crê no Universo como uma grande rede interdependente, aquela ideia de “Somos Todos Um”, tal qual o Universalismo – que não é uma religião e é uma das ideologias que eu mais simpatizo; tem no aforismo “Amai-vos uns aos outros, como a ti mesmo” um dos seus grandes pilares, exatamente como qualquer religião cristã prega; acredita na meditação e na concentração/controle da própria mente como muitas outras religões e doutrinas também; crê na astrologia e numerologia; prega que se deve acreditar em algo apenas quando se entende o que significa, ou seja, priorizar-se a razão ao invés da fé cega (idem Universalismo); entre outros inúmeros ensinamentos.

E o que se pode concluir-se dessa constatação? Que mesmo com tantas crenças, religiões, interpretações da bíblia, deuses, formas de rezar, formas de meditar, rituais e cultos diferentes, há pontos em que muitas dessas filosofias culminam, convergem, encontram-se. Afinal de contas, acreditando ou não em 'deuses' ou religiões, as leis da Natureza são iguais em qualquer parte do mundo. Isso significa dizer que há um princípio comum, uma Inteligência.

As religiões ão interpretações diferentes para objetos de estudo iguais. Ora, que objetos são esses? Nascer, morrer, sensações de tristeza, amor, felicidade, medo, angústia, etc, etc. É como olhar para uma moeda de perspectivas diferentes: um verá cara, o outro, coroa.

Conseguir enxergar esta moeda no Todo, por inteiro, sem preconceitos, é o grande desafio. A Humanidade ficaria menos preocupada em seguir religiões, deixaria de ser egoísta com suas próprias verdades e cada indivíduo passaria a ser mais independente. Independência no sentido de assumir as rédeas de sua consciência e autogovernança. Não há nada mais espiritual que um ser Livre, consciente de si e de seus atos. 
 
 
 
 
 

Alienígenas no final de semana...





Alienígenas e Kabalah... bons assuntos para o final de semana. Não, não é para dar um pulo da cadeira porque não há nada de assustador nisso. O título escolhido é só uma forma de chamar a atenção senão ninguém lê (risos). O que quero dizer é que assisti a um documentário sensacional chamado “Alienígenas do Passado” exibido em séries pela History Channel e, em outro momento, um vídeo que faz uma breve introdução/explicação sobre a Kabalah. Vou dividir os assuntos em dois posts, para não ficar muito extenso.
 
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O primeiro é um documentário/série que baseou-se na teoria do livro de Erich von Däniken, “Eram os Deuses Astronautas?” em que escritor cria a hipótese de que civilizações antigas já mantinham contato com alienígenas (Teoria dos Antigos Astronautas) os quais eram vistos como deuses por esses povos. Erich afirma que foram eles os responsáveis pelas grandes construções presentes na Terra, como as pirâmides de Gisé, no Egito, as do México, os Moais da Ilha de Páscoa (foto), no Peru, os “desenhos” do deserto de Nasca...

Os seguidores da teoria dos Antigos Astronautas afirmam que não há possibilidade de o ser humano, nem com a tecnologia que existe atualmente no mundo, construir tais monumentos com tanta precisão e perfeição como foram feitas. As pirâmides, por exemplo, eram blocos de pedra que pesavam toneladas e seriam necessárias centenas de pessoas para carregar/puxar/levantá-las. Ainda assim, segundo os estudiosos, existiam outras dificuldades de difíceis resoluções para o ser humano, como o encaixe perfeito das rochas e suas medidas, também perfeitas. Os cientistas chegam a afirmar que as pirâmides de Gisé e as pirâmides no México possuem exatamente a mesma medida.
 
Recomendo a série (1ª temporada), que pode ser baixada completa no youtube:
 
Encontrei também a versão cinematográfica do livro no youtube. Eu não assisti ainda, porém coloco aqui para quem quiser ver. Já estou louca para assistir!
 
 

segunda-feira, 8 de abril de 2013

"Palavras apenas, palavras pequenas"... Será?




Será que Brás Cubas tinha razão ao afirmar que podia dizer tudo só porque estava morto? Não precisamos de ditaduras já que hábitos e costumes sociais nos amordaçam e nos impedem de falar. Esse foi o seu recado! Afinal de contas quando, em vida, Cubas poderia dizer abertamente que deixou de casar com Eugênia só porque ela era manca e pobre e isso poderia atrapalhar seus planos para uma carreira política? Quantas relações poderiam ser interrompidas só com essa afirmação? Quantos problemas não causariam?

Falar, dizer e escrever... "Mas o que há assim de tão perigoso por as pessoas falarem, qual o perigo dos discursos se multiplicarem indefinidamente? Onde é que está o perigo?" são perguntas que Foucault já fazia em 1970. 

Eu, como jornalista, estou sempre tentando driblar as palavras multisemânticas, ambíguas, dúbias... cada palavra é uma decisão, é uma postura, é um ponto de vista...

Eis o perigo...

(Este, como todos os outros textos, está inacabado e posso abrir um novo post para completá-lo ou terminar um outro dia aqui mesmo ... percebi que se for esperar para deixar todos os textos redondinhos e "perfeitos" não vou publicar nada. Eis mais uma mordaça da palavra: a insegurança!)  




 

domingo, 10 de março de 2013

Fallen Angels

Tenho explorado uma nova forma de expressão ultimamente: a fotografia. E meus olhares se atentam, entre outros, para lugares em que o Tempo, com suas mãos pacienciosas, burilou. Como este cemitério que fica na beira de uma estrada, em que passo toda vez que vou para ou volto de Cerro Largo, onde trabalho.